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Feiras de Ciência e Tecnologia

Feiras estimulam produção científica entre estudantes de nível fundamental e médio

São 795 trabalhos de escolas das redes pública e privada sendo apresentados esta semana nos dez campi da instituição, como parte da Semana de Ciência e Tecnologia do IFMS.
por Cleyton Lutz publicado: 04/10/2018 16h44 última modificação: 25/10/2018 17h12

Feiras de Ciência e Tecnologia ocorrem nos dez campi do IFMS até o próximo sábado, 6 - Fotos: Campus Campo Grande / Campus Nova Andradina

Cyberbullying, reutilização de materiais descartáveis, meio ambiente e esporte aliado à tecnologia. Esses são quatro dos temas dos projetos de pesquisas que estão sendo apresentados nas Feiras de Ciência e Tecnologia do Instituto Federal de Mato Grosso do Sul (IFMS) em dez municípios do Estado.

Realizadas até o dia 6 de outubro, a programação das Feiras, realizada durante a Semana de Ciência e Tecnologia do IFMS, prevê a apresentação de 795 projetos de estudantes de nível fundamental e médio de escolas públicas e privadas.

Um dos trabalhos apresentados é o projeto intitulado “Descartável para uns, esperança para outros”, desenvolvido pelos estudantes de nível fundamental Lavínia Fonseca, Mateus Pereira Thabita Bezerra, sob orientação da professora Luana Crivelli, todos da Escola Estadual Austrilio Capile Castro, de Nova Andradina. 

Baseando-se em materiais descartáveis e de baixo custo (como uma vitrola antiga, palitos de madeira e agulhas de costura), o trabalho consiste na produção de um sistema que amplifica as vibrações sonoras fazendo com que deficientes auditivos possam sentir com mais detalhes músicas e outras formas de áudio. 

“Fizemos alguns testes com os estudantes, alguns deles deficientes, e o resultado foi incrível, principalmente a maneira como é possível sentir os detalhes das músicas. Ainda mais por se tratar de um projeto feito com materiais baratos e acessíveis a todos”, comenta Carina. 

“Fizemos alguns testes com os estudantes deficientes, e o resultado foi incrível, principalmente a maneira como é possível sentir os detalhes das músicas. Ainda mais por se tratar de um projeto feito com materiais baratos e acessíveis a todos”, comenta Carina. 

Entre os estudantes de ensino médio e técnico integrado foram 57 trabalhos aprovados. Um deles é o “S. O. S. eu me importo”, de autoria das estudantes Amanda Françoso e Elizete Oliveira, sob a orientação da professora Thamara Macedo. Destinado a estudar cyberbullying e a depressão entre os estudantes, o trabalho se utilizou da aplicação de questionários junto a 325 alunos da Escola Estadual Fátima Gaiotto Sampaio, onde elas estudam. 

O número representativo de jovens que afirmaram já ter sofrido cyberbullying, se automutilaram ou já tiveram pensamentos suicidas deu origem a uma peça de teatro, intitulada “Ainda há uma esperança”, e a uma página no Facebook, destinada a compartilhar experiências – tudo feito anonimamente. As estudantes também pretendem criar um grupo de apoio destinado a estudantes das escolas do município. 

“Aplicamos o questionário junto a todos os estudantes do 7º ao 3º ano do ensino médio da nossa escola e os números chamaram muito a atenção. Então, além dos dados levantados, resolvemos criar iniciativas de apoio e motivação, além de propor uma reflexão séria sobre o tema”, destaca Amanda. 

Os dois trabalhos são apresentados na Feira de Ciência e Tecnologia de Nova Andradina (Fecinova) que reúne aproximadamente 450 participantes, entre autores e orientadores, de cinco municípios do Vale do Ivinhema: Batayporã, Ivinhema, Taquarussu, Nova Andradina e Novo Horizonte do Sul, que pela primeira vez participa da feira.

Foram registrados 87 trabalhos inscritos (nos níveis fundamental II e ensino médio/técnico integrado), maior número da história da Fecinova.

Outra novidade da edição desse ano é a premiação para o trabalho mais popular. “Disponibilizamos fotos de todos os projetos e o que receber mais curtidas nas redes sociais será premiado”, explica o coordenador da Fecinova, Ricardo Caramit. “Antes mesmo do encerramento da feira, as publicações já contavam com quase 10 mil pessoas envolvidas”, complementa. 

Fecintec – Na capital, a quinta edição da Feira de Ciência e Tecnologia de Campo Grande (Fecintec) reúne desde quarta-feira, 3, 173 trabalhos nas diversas áreas do conhecimento. O número é o maior entre as feiras do IFMS.

O coordenador da Fecintec, professor Dejahyr Lopes, explica que com a forte chuva registrada na quarta-feira, o evento foi interrompido no meio da tarde e retomado na manhã desta quinta-feira.

"Estamos finalizando as avaliações e impressiona a qualidade dos trabalhos apresentados", destacou o professor. "A comunidade respondeu positivamente ao evento e, ontem, tivemos da parte de toda a comunidade, uma colaboração importante diante das circunstâncias causadas pela chuva", pontuou o coordenador.

"Estamos finalizando as avaliações e impressiona a qualidade dos trabalhos apresentados. A comunidade respondeu positivamente ao evento ", pontuou o coordenador da Feira na capital, Dejahyr Lopes.

Um dos projetos é o "Alternativas tecnológicas de gerenciamento para o Projeto Medalha", do estudante do sétimo semestre do curso Técnico em Eletrotécnica do Campus Campo Grande, Artur Moreira, coordenado pelo professor Fabrício Ravagnani.

"Na pesquisa, realizamos intervenções tecnológicas, automatizamos testes e criamos sistemas como banco de dados para armazenar dados das coletas", explicou o estudante.

O Projeto Medalha presta atendimento multidisciplinar aos atletas de ponta de Mato Grosso do Sul, analisando saúde e desempenho, através de exames e testes em áreas ligadas a prática esportiva.

O estudante conta que participar de iniciação científica o ajudou a definir escolhas e projetar seu futuro profissional.

"Antes de ingressar no Instituto Federal eu queria ser músico, mas conhecer o curso de Eletrotécnica e participar de pesquisas contribuíram para que meu interesse aumentasse e, hoje, vejo como uma boa escolha para o futuro", afirmou.

A Fecintec recebe ainda trabalhos de outras instituições de ensino, particulares e públicas, como por exemplo, o trabalho "Práticas de captação e uso da água na Escola Municipal Domingos Gonçalves Gomes", coordenado pelo professor de geografia Rafael Almeida.

"Viemos à feira apresentar resultados desta pesquisa que foi selecionada também para a Conferência Nacional Infanto-juvenil pelo Meio Ambiente", destacou o coordenador.

O projeto foi desenvolvido com os estudantes do oitavo ano, Bruno Felipe e Rafael Torquato, contando ainda com a representante na conferência, Iasmin Torres.

Para o estudante Gabriel, participar da pesquisa contribui para o aumento de seu interesse pela área e para sua rotina escolar, assim como produz resultados na comunidade onde a escola está inserida.

"Pretendo continuar na pesquisa e conscientizando as pessoas para o tema, que é importante para toda a sociedade, pois a água é um recurso importante, mas que pode acabar, por isso devemos usar com sabedoria", disse o jovem estudante.

Feiras - Compõem a programação da Semana de Ciência e Tecnologia, realizada no IFMS também no período de 1º a 6 de outubro, com o tema "Ciência para a Redução das Desigualdades".

As feiras acontecem em Aquidauana (Feciaq), nos dias 1º, 02 e 5/10; Campo Grande (Fecintec), de 3 a 5; Corumbá (Fecipan), de 4 a 6; Coxim (Fecitecx), 3 e 4; Dourados (Fecigran), 4 e 5; Jardim (Fecioeste), 3 a 5; Naviraí (Fecinavi), 4 e 5; Nova Andradina (Fecinova), 2,3 e 5; Ponta Porã (Fecifron). 2 e 3; Três Lagoas (Fecitel), 2, 3 e 5.

Além das feiras, a Semana conta com minicursos, palestras, oficinas, mesas-redondas, seminários, entre outras atividades. Parte delas é aberta ao público, enquanto outras são destinadas exclusivamente aos estudantes do IFMS.

A programação completa por município está disponível na página da SCT 2018.